Sono do bebê: 5 mitos e verdades

Você já seguiu todas as recomendações e a noite continua sendo um drama com o seu filho? Reunimos aqui as principais falácias e as estratégias que realmente funcionam na hora de dormir

Por Maria Clara Vieira

Quem dera fosse só colocar a criança no berço ou na cama, com hora marcada, para ela embarcar em um sono profundo até o dia seguinte. Para alguns pais sortudos, é simples assim. Para grande parte, no entanto, fazer o filho dormir requer treino, persistência e paciência. Sem falar nas dúvidas que surgem no meio do caminho. Quem nunca se perguntou se deveria acordar o bebê porque estava dormindo demais? Ou quase enlouqueceu, pois ele passou a despertar no meio da madrugada?

O pior é que não há receita pronta para solucionar impasses do gênero, apenas dicas e relatos de experiências bem-sucedidas que podem ser testadas. Cada situação tem de ser avaliada individualmente. Não à toa, um serviço personalizado que já é popular nos Estados Unidos vem ganhando espaço no Brasil. Trata-se da consultoria do sono materno-infantil, em que um especialista observa a rotina, identifica os fatores que impedem a criança de dormir, cria um plano de sono e orienta os pais, presencialmente ou via internet. “Toda a família precisa estar envolvida para saber como agir, sem confundir a criança no processo de reeducação do sono”, conta a neuropsicóloga Deborah Moss, que oferece o serviço no Brasil. E ela alerta: “Não há método que não envolva um pouco de choro, já que estamos mudando um comportamento”. Isso não significa, porém, deixar seu bebê se esgoelando no berço até se cansar, mas ensiná-lo, com carinho, que tudo tem seu tempo.

Se você não sabe por onde começar, converse com o pediatra e os amigos, além de recorrer a livros e reportagens. Para facilitar essa árdua busca por noites tranquilas, conheça a opinião de especialistas sobre 27 crenças populares referentes ao sono das crianças. Confira os segredos de quatro mães que conquistaram um sono exemplar para os filhos e uma entrevista com o médico espanhol Eduard Estivill, autor do livro Nana, Nenê (Ed.WMF Martins Fontes).

1 – NÃO É BOM DORMIR COM A BARRIGA CHEIA: VERDADE

É desaconselhável colocar a criança para dormir logo após mamar bastante ou ingerir alimentos sólidos. “O peso da comida pode causar mal-estar. Sem contar que há risco de o bebê regurgitar o leite e aspirá-lo”, alerta o pediatra Felipe Lora, do Hospital Infantil Sabará (SP). O ideal é oferecer o jantar cerca de duas horas antes de deitar. À noite, a refeição deve ser composta por alimentos de fácil digestão, como sopas, carnes magras (que são fontes de proteína), verduras e legumes cozidos. Antes de dormir, a criança pode tomar leite, mas sem extrapolar no volume a que está acostumada. Também vale reforçar que, quando o bebê arrota, diminui o risco de regurgitar durante o sono. Pelo mesmo motivo, ele deve mamar com a cabeça elevada em relação ao corpo (com uma inclinação de 30 a 45 graus), e não totalmente deitado.

2 – TODO BEBÊ APRENDE A DORMIR SOZINHO: MITO

Pode ser que o seu filho nunca tenha demonstrado nenhum tipo de dificuldade na hora de ir para a cama, mas esse comportamento é exceção. “Só 10% dos bebês desenvolvem a capacidade de adormecer sozinhos, empregando recursos como se balançar, segurar um paninho ou chupar o dedo. Os demais têm de ser ensinados”, diz a neuropediatra Márcia Pradella, do Hospital Sírio-Libanês (SP). Segundo a médica, nos três primeiros meses, o bebê repete vários ciclos de mamada, cocô e sono. Por isso, não adianta tentar acostumá-lo a dormir a noite toda nessa fase. Essa é mais uma razão para concentrar os esforços a partir do quinto mês, com a criação de um ritual.

3 – PARA DORMIR BEM, É PRECISO TER ROTINA: VERDADE

A criança precisa, de fato, de uma rotina estabelecida para conseguir ter uma boa noite de sono. Uma pesquisa recente da Universidade de Saint Joseph (EUA) confirma essa necessidade. Foram estudadas 405 famílias, com filhos de 7 meses a 3 anos. Os resultados mostraram que o simples fato de a criança ir para a cama no mesmo horário todas as noites melhora a continuidade do sono noturno e, consequentemente, contribui com o bom humor das mães. Mas essa regularidade só é possível a partir do quinto mês, quando o bebê já produz melatonina – hormônio que induz à sonolência, assinalando ao organismo o momento de dormir. É aí que se deve estabelecer um ritual de sono, repetindo-o todas as noites, antes de colocar a criança na cama. Segundo a pediatra Rosana Cardoso Alves, membro da Associação Brasileira do Sono (ABS), atitudes simples são capazes de sinalizar ao bebê que está chegando a hora de desacelerar: o quarto deve ser escurecido e os estímulos visuais e sonoros também precisam diminuir. O ritual pode incluir um banho relaxante, uma massagem, a troca de fralda, a mamada e o colo para arrotar. Depois, vale colocar a criança no berço e cantar uma música, contar uma história, fazer uma oração ou apenas conversar. “Ofereça uma naninha, para que ela segure até cair no sono. Esse objeto servirá como referência para ela se acalmar, caso acorde no meio da noite”, ensina a neuropediatra Márcia Pradella. Para as crianças maiores, a rotina é parecida. Antes de adormecer, os pais podem ler um livro, dar um beijo de boa noite e sair do quarto, para que o filho pegue no sono da forma mais independente possível.

4 – TUDO BEM COCHILAR NA CADEIRINHA DO CARRO OU NA CADEIRINHA MUSICAL: VERDADE

Sim, se for para cochilos breves. Porém, para dormir à noite, é importante estar no berço, cujo colchão proporciona as condições ideais para o descanso. Mas, atenção! Uma pesquisa do Children’s Hospital Medical Center (EUA) alerta para uma ameaça preocupante: o uso incorreto da cadeirinha automotiva, fora do carro, é responsável por mortes infantis por asfixia, pois a criança pode se enrolar no cinto. Por isso, mantenha a vigilância constante.

5 – CHÁ DE CAMOMILA AJUDA A ACALMAR: VERDADE

“Primeiro, lembre-se de que crianças neurologicamente saudáveis não necessitam de substâncias para conduzir o sono”, ressalta o neuropediatra Paulo Liberalesso, do Hospital Pequeno Príncipe (PR). Mas é verdade que, assim como outros chás fitoterápicos – erva-doce e jasmim, por exemplo –, o de camomila tem a capacidade de induzir o organismo ao relaxamento. E o melhor é que a planta é rica em substâncias potencialmente benéficas, com efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes, e pode diminuir a ansiedade. O chá pode ser oferecido em temperatura morna, desde o sexto mês.

Referência: http://revistacrescer.globo.com/Bebes/Sono/noticia/2017/04/sono-do-bebe-27-mitos-e-verdades.html

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