Você dorme bem? Veja o que é considerado o “sono de qualidade”

MARCEL HARTMANN – O ESTADO DE S. PAULO

Dormir bem não se resume apenas a ter sete ou oito horas de sono. Na verdade, o descanso à noite é uma verdadeira arte e envolve uma série de fatores.

Entre eles, o tempo de demora para cair no sono, a quantidade de vezes que você acorda de madrugada e até quanto tempo você de fato dorme enquanto está na cama.

Quem diz isso é a National Sleep Foundation, entidade norte-americana especializada no assunto, que publica em fevereiro, no periódico Sleep Healthum artigono qual aponta uma série de diretrizes indicando o que é um ‘sono de qualidade’. A ideia do estudo era definir parâmetros objetivos para avaliar uma boa noite de descanso, já que profissionais da área têm dificuldade em fazer um diagnóstico – a avaliação muitas vezes é subjetiva, já que os requisitos para um bom sono podem ser diferentes de uma pessoa para outra.

Para desenvolver as recomendações, a organização reuniu experts em sono e médicos de outras áreas para revisar, com profundidade, 277 estudos acerca do assunto.

Veja alguns pontos da lista:

– Adormecer em até 30 minutos

– Acordar no máximo uma vez de madrugada (duas, se você é idoso)

– Dormir durante 85% do tempo que você está na cama

– Tirar um cochilo de no máximo 20 minutos

– Passar no máximo 20 minutos acordado ao longo da noite quando você desperta do sono (30 minutos, se você é idoso)

Um dos fatores, levar muito tempo para dormir, é prejudicial porque indica que há algo de errado, explica Luciane Mello, otorrinolaringologista especialista em sono e responsável pelo Ambulatório do Ronco e Apneia do Hospital Federal da Lagoa, no Rio de Janeiro. “Se essa demora ocorre com maior frequência, pode significar uma insônia inicial”, diz a médica.

Soneca. A soneca da tarde também faz bem, algo bastante comum para crianças e, sobretudo, para adolescentes. “Sabe-se que adolescentes têm o fator hormonal que os faz dormirem e acordarem mais tarde. Além disso, eles começam a sair à noite, então é normal tirarem uma soneca à tarde”, explica Luciano Ribeiro, neurologista presidente da Associação Brasileira do Sono.

No entanto, nada de dormir por uma ou duas horas, o que pode afetar o sono noturno. O ideal é fazer como espanhóis e gregos e cochilar no máximo 20 minutos. O número de sonecas no dia também conta: para crianças em idade escolar, mais de duas já é prejudicial. Para crianças em fase pré-escolar, adultos e idosos, o limite sobe para três cochilos no dia.

Extrapolar isso é prejudicial porque dormir à tarde ‘tira’ o sono da noite. E é à noite que seu cérebro melhor produz uma série de hormônios importantes para o organismo (como o do crescimento, que ajuda a emagrecer) e quando atingimos da melhor forma o sono REM, o mais profundo de todos os ciclos. “A consolidação da memória e do aprendizado acontece no sono REM”, explica Luciane Mello, que também faz parte da Academia Americana de Medicina do Sono.

 

Referência: ESTADÃO

 

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